Tratar por dentro não é tratar por fora

“Olá, Doutora Denise, como vai? Eu gostaria de marcar um horário para conversarmos sobre o problema do meu filho. É que ele é muito… é que ele está… e daí… E então? É possível ajudar o meu filho? O caso dele tem solução?”

E então o tratamento é marcado.

No entanto, enganam-se os pais que acreditam que o terapeuta possui poderes mágicos ou uma varinha de condão de ótima qualidade para “sumir” com o problema em 2 ou 3 sessões.

Ao mesmo tempo em que os pais procuram ajuda, já chegam preparados com diversas justificativas para interromper o tratamento mal começado. A angústia dos pais pela obtenção do resultado é tão grande que não suportam compartilhar TODO O PROCESSO TERAPÊUTICO NECESSÁRIO.

“Quanto tempo vai durar? Quantas sessões serão necessárias?”

É rotina: explico pacientemente a todos os pais que, um tratamento psicológico, emocional, ou até mesmo, com o fim de sanar dificuldades de aprendizagens, não é como um tratamento orgânico em que o médico receita um medicamento e, em poucos dias, tudo está em perfeito estado.

Quando o problema não está no corpo físico, como uma dor, uma infecção, uma má articulação, ou seja, quando o problema está no corpo emocional, TODAS AS PESSOAS TENDEM A PRORROGAR A PROCURA PELO INÍCIO DO TRATAMENTO, mas se esquecem que as feridas e falhas internas são as que mais requerem cuidados, a começar pela tão conhecida auto-estima.

Tratar o problema no início, quando é detectado, sempre é melhor do que esperar pra ver se irá piorar. Se temos uma dor no dente e não a tratamos, certamente, ela piorará. Se temos dores na coluna e também não procuramos ajuda, qualquer dia não conseguiremos nos levantar da cama. Cristais renais se não tratados, viram pedras, que doem muito mais. Todos nós sabemos muito bem o que acontece com um tumor que não é tratado. Logo, logo, toma conta do corpo todo.

Então por que é que as pessoas insistem em acreditar que as questões internas vão se resolver sozinhas?? A isso eu chamo de “auto-enganação”. É se cegar para o problema escancarado. O ser humano se cuida razoavelmente por fora e pessimamente por dentro. E este mesmo ser humano não se conscientiza que no lado psíquico e afetivo de todos também se formam tumores e infecções generalizadas, quase sempre gritantes por socorro e por transplantes de qualidade.