O dia das crianças de hoje

12 de outubro. Dia das crianças.  Uma data que, para alguns é motivo de alegrias e, para outros é motivo de aborrecimentos. Afinal… o que dar de presente ao meu filho nessa data tão esperada e desejada? Como satisfazer meu filho no meio de tantos estímulos materiais e televisivos?! Que poder tem a mídia sobre as decisões humanas!!
Passou-se o tempo em que o carrinho de rolimã fazia o maior sucesso. Lembra?! Correr na rua de bicicleta, brincar de polícia e ladrão, soltar pipa… Os skates, como brinquedos, também estão extintos. O que voltou agora foi o skate em um contexto de modismo. Quando não são os skates de dedo. Skate de dedo… não consigo imaginar muita diversão! E  ficar sentado na calçada dando altas gargalhadas com as bolinhas de sabão… Lembra?! Como é bom ter o  gosto de tal lembrança.

Pular amarelinha! Puxa, eu era ótima nisso! Balançar na rede… alguém sempre se machucava, mas passados 10 minutos de choro, começávamos tudo outra vez.

Como era bom subir em árvores! Passar a tarde toda no quintal de casa, chupando fruta do pé (manga, laranja lima, jabuticaba…), brincando com a mangueira e competindo quem dava o pulo mais maluco dentro da piscina. Sujar a roupa de terra de tanto correr, ou de tinta de tanto pintar… Ai,ai, quer coisa melhor?! E por incrível que pareça há quem negue tal prazer às crianças de hoje. E pensar que as máquinas de lavar roupas, os tipos de sabão em pó e os tira-manchas estão cada vez mais sofisticados e eficientes.

O melhor era à noite quando eu fazia complexas cabaninhas usando almofadões, lençóis, colchas e cadeiras. Era o máximo! Parecia que eu tinha construído o meu próprio castelo!

E os brinquedos de papel: origami, catavento, aviões e barquinhos (como eu adorava fazer barquinhos! Era sempre uma torcida pra ver quantas pedrinhas eu conseguia colocar sem ele se desmanchar na piscina.), bonequinhas de mãos dadas, bater figurinha, piadinha de chiclete… pra quê papel se hoje eu posso ter o computador?! E por falar nisso, pra quê amigos se eu posso ter as salas de bate-papo, os famosos chats?! Não bastava o telefone prender as pessoas em uma relação ligada por um fio, inventaram a tal da internet!

As bonecas de pano também… sumiram de vez! E no lugar delas estão as bonecas praticamente siliconadas, com longos cabelos lisos e loiros, olhos sensuais e boca carnuda. E depois não entendem como é tão comum meninas de 12, 13 anos de idade já em depressão profunda, em  crise de identidade, com uma baixa auto-estima.
Agora podemos ver um movimento que está tentando ardentemente ressuscitar tais brinquedos mais… caseiros? Artesanais? Simples? Não… tais brinquedos mais infantis mesmo.

As crianças de hoje mal sabem manusear uma peteca, um cavalinho de pau, rodar um pião… têm medo de subir em uma perna de pau, aliás, nem se atrevem! Sobrou pro palhaço tal função extraordinária! Nem lego brincam mais! Lego!! Algo em expansão há 15, 20 anos atrás! Tenho dó dos quebra-cabeças e dos jogos de tabuleiro.

É… que pena… é muito mais fácil embarcar na onda industrializada do que incentivar a criatividade e a espontaneidade. Não tem jeito: colecionar trenzinhos hoje, é como doce de tacho: só para os vovôs!