Nada de birra na hora de brincar

Toda criança tem um fundo de egoísmo. Mas dá, sim, para ensinar seu filho a dividir os brinquedos com os coleguinhas!

Lidar com crianças que não sabem dividir é um desafio. Mas o que todas as mães devem ter em mente é que essa dificuldade vem do lado individualista da personalidade dos pequenos, que ainda não está completamente desenvolvida.

O mais importante, desde cedo, é ensinar que o certo é dividir, seja brinquedo, roupa ou atenção dos adultos, para que a personalidade se molde corretamente e a criança não se torne birrenta e egoísta.

A terapeuta infantil Denise Dias conta que é mais comum acontecer esse tipo de individualidade em filhos únicos, que têm tudo para si. “Afinal, eles não têm irmãos para dividir nada”, comenta.

Mas se os pais não souberem educar seus filhos adequadamente, até crianças com muitos irmãos podem ter esse tipo de atitude. A terapeuta relata que o que mais influencia nessa questão é, sim, a educação recebida em casa.

“Tenho apenas um filho e, justamente por isso, fui explicando para ele o conceito de dividir desde bem cedo. Em um dado momento, por volta dos 3 anos, ele teve uma crise para dividir os brinquedos, mas eu pedia licença para outras mães, pegava o brinquedo em conflito, tirava da mão dele e entregava para outra criança”, conta Vanessa Rocha, mãe de Miguel.

Os ensinamentos não acabavam ali. “Só aceitava conversar com ele sobre o egoísmo quando estivesse calmo, para conseguir explicar com tranquilidade. Foi assim que ele aprendeu que gritar e espernear para conseguir alguma coisa não adiantaria”, acrescenta.

Nenhum filho deve ter todos os seus desejos atendidos sempre de prontidão. E lidar com o não, com a frustração de não conseguir, de não ter o item desejado, é muito positivo para desenvolver a capacidade de encarar as perdas, as imperfeições, e se tornar uma pessoa mais tolerante.

Dependendo da atitude da criança, uma boa conversa basta. É interessante mostrar que o brinquedo pode ser ainda mais bacana se for compartilhado com os coleguinhas, apontando os ganhos que se tem quando algo é dividido.

“Também é válido levar a criança a se colocar no lugar do outro, dizendo, por exemplo: ‘E se fosse com você, iria gostar do colega não querer devolver o seu brinquedo’?”, elucida a psicóloga Gabriela Cosendey.

Criança

Perdas e ganhos

É importante mostrar que o ato de compartilhar não significa perda. Ao contrário, ele agrega, pois há troca de experiências com os amigos. Também é bom criar o hábito de separar roupas e brinquedos para doação, estimulando o desapego.

Mostre que algumas coisas deixaram de ser necessárias e podem ser úteis para outras crianças. Dessa forma, novas experiências virão, e seu filho é estimulado a entender o valor disso tudo.

Por outro lado, se a criança for insistente, arrogante e agir de modo indevido, cabe a você decidir pela aplicação de um castigo. Aqui, nada de bater! A conversa e a reflexão sobre as atitudes surtem muito mais efeito.

Portanto, se optar por colocá-la em um cantinho, pensando naquilo que fez, lembre-se de deixar claro o motivo pelo qual ela está ali e estabeleça um tempo para isso.

Janaína Depiné, consultora de etiqueta, recomenda um minuto para cada ano de idade: “Esse é o tempo ideal para ela refletir sobre o que fez de errado. Crianças com menos de 2 anos não devem ficar de castigo dessa maneira, pois ainda não entendem. Agora, nunca agrida seu filho com força física nem palavras. Geralmente, crianças agressivas são fruto de um lar agressivo e, no final, ela continuará egoísta e birrenta”, esclarece a consultora.

Advertir é necessário

Assim, o importante é repreender a criança quando ela tem atitudes birrentas. Seu filho agiu incorretamente? Faça a advertência na hora.

E se ele faz birra a cada “não” que ouve, lembre-se de que, por trás de uma criança inconveniente, existe uma necessidade de chamar a atenção dos pais. Avalie se seu filho não está se sentido sozinho e desvalorizado ou se está testando o limite que os pais impõem.

Nesse momento, mais do que nunca, você deve ser firme e não ceder aos escândalos, para que seu pequeno caia em si e perceba que não adianta fazer alvoroço. Com o tempo, ele acaba cedendo e tornando-se uma criança mais educada e menos egoísta.

Uma última dica: tenha cuidado para ser coerente com suas atitudes do início ao fim. Isso quer dizer que você não pode agir de forma diferente a cada hora, pois seu filho logo perceberá que existem brechas para continuar agindo como deseja.

Lembre-se: as crianças testam os adultos com muita frequência, assim como os limites e as regras.