Limites: um problema do mundo moderno

Na época dos nossos avós e bisavós a educação dentro de  casa era realizada à base do cinto, da varinha, do “pronto e acabou”. Isso  gerou uma camada de pessoas contra agressão física como forma de educação. E com isso, temos hoje uma geração de adolescentes e jovens que disputam o poder da palavra com os próprios pais e, quando não o conseguem, partem para o ataque físico. Podemos resumir tal processo de geração em geração com uma palavra: desequilíbrio. É o equilíbrio que faltou. E é isso  que os pais de hoje em dia estão tentando alcançar. Mas… existe uma problemática no meio dessa educação que não educou: como educar meus filhos com equilíbrio se eu não tive esse exemplo dentro de casa? Por onde começar? Existe alguma receita?

Nas palestras que ofereço constantemente às escolas, digo claramente aos pais: pai  e mãe são pai e mãe; e filho é filho. Ou seja, são alturas distintas. É uma hierarquia indiscutível. O filho tem que se colocar no lugar de filho, mas para isso o pai e a mãe têm que se colocar no lugar de pai e mãe.  Pai e mãe devem ser vistos pelos filhos como autoridades. Ser uma autoridade é bem diferente de ser autoritário.

O que todos os pais e todas as mães buscam na educação de seus filhos é a obediência. Mas há uma grande diferença na obediência por respeito e na obediência por medo. Quando há o respeito, há a compreensão, há a colaboração; portanto, há educação. Quando há o medo, não há nada.

O princípio de uma educação em que haja respeito  dos filhos com os pais é a firmeza. Firmeza na palavra. Firmeza ao dizer ao filho que ele tem que tomar banho antes de dormir, firmeza ao mandá-lo escovar os dentes. Firmeza no horário de dormir, firmeza no horário de estudar. Firmeza no almoço com a salada, mas veja bem: é preciso dar exemplo; é preciso ser exemplo; portanto, coma salada você também. Firmeza ao dizer ao filho que já que ele não quer comer o prato de comida, então o comerá quando estiver com fome. Atenção novamente: não vale dar biscoito recheado, refrigerante e porcarias durante a tarde inteira e exigir  que o coitado do filho consiga ainda assim, comer aquele prato mais tarde. E não se preocupe: ficar uma tarde sem comer nada para aprender a valorizar o horário do almoço nunca matou ninguém de fome. Muito pelo contrário: a criança passa a saciar a fome com a comida, sobrando menos espaço para as porcarias.

Mas ser firme não é ser rígido. Firmeza também envolve flexibilidade. Rigidez, não.  Peguemos o mesmo exemplo do almoço. Não é preciso estragar um almoço de domingo no restaurante com todos aqueles parentes porque o seu filho não quer comer a rúcula que está super amarga, ou então, porque ele não gostou da peixada que por sinal, foi feita com toda a pimenta nordestina. E nem obrigue o seu filho a gostar de comer tudo. Você gosta? Cada um tem um paladar distinto. Eu odeio berinjela. E odeio figo. Pois é! Figo! E não há quem me faça gostar de figo! Mas eu adoro manga, kiwi, melancia, abacaxi, laranja, melão, morango, carambola… ou seja, não gostar de uma fruta, de uma verdura, é permitido. O que não pode ser permitido é não gostar de todas as frutas, de todas as verduras e legumes, de todas as carnes.

A hora de educar é no início mesmo. E isso é válido para a alimentação, o  banho , a escovação dos dentes, o horário de dormir, a lição de casa, enfim… é válido para tudo.

Mas o que os pais devem ter em mente além de tudo isso é: a firmeza da palavra só tem poder se for realmente cumprida, ou seja, só diga aquilo que você for capaz de cumprir, ou então você estará brincando de educar seu filho e, com isso, além de não conseguir o que você quer, você ainda mostra ao seu filho que a sua palavra não vale tanto assim. Ouvi ontem de uma paciente o seguinte: “Ah… a professora fala que vai colocar pra fora da sala se não parar a bagunça  mas ninguém nem ouve ela, porque ela nunca coloca. Ela não tem coragem”. Preciso dizer mais alguma coisa?! Não, né?! Ou seja, cumpra a sua palavra.