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Foco Regional – Tema longe de consenso

 

A chamada “Lei da Palmada” causou muita polêmica no país inteiro desde que foi anunciada, em 2010. O projeto de lei, que conta com o apoio de diversas personalidades, como a apresentadora Xuxa e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como principal objetivo acabar com a punição física contra crianças e adolescentes que apanham dentro de casa.

Por outro lado, há pessoas que discordam dessa tese e acreditam que uma palmada de vez em quando faz bem e ajuda na educação das crianças. Uma delas é a terapeuta infantil Denise Dias, que está lançando o livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos”.

A obra pretende ajudar os pais que têm dúvidas sobre como impor limites e alcançar resultados eficazes, mostrando que existe uma divisão clara entre violência e respeito, agressão e disciplina. De acordo com a terapeuta, o maior problema é que as pessoas confundem o tapa com uma surra. “Os pais de hoje sofrem por não ter a certeza de como agir como pais e pecam na permissividade”, analisa.

Segundo a autora, muitos condenam o tapa e os castigos aos filhos. Mas se esquecem de que cabe aos pais, e somente a eles, a maior e principal responsabilidade sobre as crianças: a formação de seus valores, do seu caráter e do que cada filho será como adulto quando crescer.

O tema é, realmente, polêmico. E, ainda que, de imediato se discorde da autora, não há como negar que até existem aqueles que se declaram contra um tapinha, mas que, na intimidade da casa, às vezes recorrem a este expediente na esperança de colocar as coisas em seus devido lugares. Aqueles que se declaram a favor da “Lei da Palmada”, costumam recorrer a uma explicação que também faz sentido: da tapa apenas corretivo para a agressão é um pulo, afinal, é muito tênue a linha que separa uma coisa da outra.

Evidentemente, quem tem filhos sabe que educar uma criança não é apenas cobri-la de beijos, abraços e outras formas de carinho. Há momentos em que impor a autoridade paterna e materna é essencial para a formação do caráter do futuro adulto. Alguns pais impor a autoridade sem jamais levantar a mão para a criança, ainda que essa postura exija um supercontrole dos nervos. Até porque, alguns pais admitem que os tapas costumam doer mais neles do que nas crianças.

Para outros pais, ainda que dolorosa para si mesmos, a palmada é, sim, uma fonte de educação. Psicólogos que corroboram a tese de Denise Dias alertam, no entanto, que uma palmada jamais deve ser aplicada num momento de raiva, porque isso pode, realmente, machucar a criança. Mas, acredite, há psicólogos que defendem a palmada até mesmo em público, se a argumentação não estiver funcionando. Chegam a afirmar que um tapa ensina que o mundo também dá tapas na gente. E, para confirmar o quanto o tema está longe de um consenso, há aqueles que também vêem esta comparação como desmedida, pois a criança pode entender que é batendo é que a pessoa se impõe e estabelece limites.

Por isso, para quem quiser se aprofundar na discussão, o livro é uma dica a mais. Denise Dias é terapeuta infantil e trabalha com terapias lúdicas. É musicoterapeuta, pedagoga, psicopedagoga, especialista em psicossomática e possui experiências no Creative Children Therapy, Children’s Health and Educational Management Inc., United Cerebral Palsy of Miami, Jackson Memorial Hospital, Perdue Medical Center, todos na Flórida, Estados Unidos, com destaque no trabalho com crianças, adolescentes e adultos psiquiátricos, portadores de necessidades especiais e crianças que sofreram abusos físicos e sexuais. Atualmente trabalha com crianças, adolescentes e adultos, sempre envolvendo as famílias no processo de cura através de frequentes orientações. É conhecida pelas suas palestras em escolas, orientando pais e professores.


Publicação: 10 de outubro de 2011 | www.focoregional.com.br – Tema longe de consenso